História

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A história do ensino público no Porto Santo, que urge registar, constitui uma bandeira da luta da população local pela melhoria das condições de vida dos residentes. Durante século e meio (desde a década de 1830, quando cá chegou o primeiro professor de instrução primária, Manuel da Câmara Bettencourt) o Porto Santo apenas teve Ensino  Primário.

 

  

Ilha

 

 

Nos anos 60 do século passado,  alguns jovens porto-santenses puderam prosseguir os seus estudos após a quarta classe sem abandonar o lar, graças à iniciativa de professores particulares que facultavam explicações. Entre os primeiros mestres-explicadores estavam os párocos do Porto Santo e alguns engenheiros que viveram temporariamente na Ilha durante a construção do Aeroporto.

 

Em 1966/67 regressaram ao Porto Santo as irmãs Ana Maria e Maria, alargam as aulas/explicações a duas dezenas de alunos do 1º ao 5º anos (hoje 5º ao 9º anos). Os estudantes, mais de meia centena, inscritos no Liceu de Jaime Moniz, estavam obrigados a prestar provas no Funchal no final do 2º e 5º anos.

 

Por essa altura, tinha-se também ensaiado a extensão do Ensino Primário  à quinta e sexta  classes, a partir dos recursos existentes na Escola Primária da Vila. Pouco depois, chegou a Tele-escola, que trazia consigo o fascínio da televisão e do gravador magnético para os jovens do Ensino Preparatório do Porto Santo.

 

Com a Revolução de 25 de Abril de 1974, a criação do ensino público preparatório e secundário é assumida pela população local como a primeira e inalienável  reivindicação democrática. Centenas de porto-santenses chegam a tomar o Forte de S. José para a  instalação de uma escola oficial. Aí permanecem sem arredar pé durante 48 horas, até à garantia da satisfação do que se reivindicava. Esta terá sido, aliás, a maior concentração popular da história do Porto Santo. A manifestação  foi desmobilizada  com a negociação, no Funchal, entre o então presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal do Porto Santo, José Jorge Góis Mendonça, e o então representante do Conselho de Revolução na Madeira, Brigadeiro Carlos Azeredo, mediante o compromisso da criação do ensino público preparatório no Porto Santo no ano lectivo seguinte.

 

A reivindicação seria formalmente satisfeita numa reunião entretanto realizada no Ministério da Educação entre o autarca porto-santense e o Secretário de Estado da Educação Aldónio Gomes. Decide-se nesse encontro constituir uma comissão para a instalação da Escola Preparatória do Porto Santo e, com a Direcção-Geral do Ensino Particular, é estabelecido um acordo para a fundação e financiamento, no ano lectivo imediato (1975/76), do Externato do Porto Santo, que funcionaria com licença provisória para o ensino do 7º, 8º e 9º anos em articulação com o Liceu de Jaime Moniz, para onde seguiam anualmente as matrículas dos alunos.

 

Foi neste contexto que se executaram pequenas obras de adaptação da Escola Primária do Farrobo onde seria instalado o 1º e 2º anos do Ciclo Preparatório. Os alunos do primeiro ciclo que frequentavam esta escola foram, na maior parte, transferidos para a escola da Camacha. Simultaneamente, o Externato fica instalado num velho barracão adaptado para três salas, no Sítio dos Salões, e pode levar a exame final de 9º ano todos os seus alunos. Em 1977 frequentam o Externato do Porto Santo mais de 100 alunos.

 

Em 1975, pela primeira vez, os alunos do Porto Santo não são obrigados a ir ao Funchal para as provas de 2º e 9º anos: foi destacada uma equipa de professores da Madeira que se deslocou à Escola Primária da vila, onde decorreram os exames, mal sucedidos para a maioria, em parte devido ao ambiente de pânico dos jovens examinandos na frente dos desconhecidos professores examinadores.

 

Entretanto, a Escola Preparatória, no Farrobo, vivia a turbulência natural do vento revolucionário que lhe deu ser e o primeiro encarregado da abertura da escola, nomeado pelo Governo Central, Sérgio Moutinho, acabaria por ser rejeitado pela população da ilha, discordante das orientações políticas que imprimia ao seu cargo, sendo necessário recorrer à Força Aérea para garantir uma fuga em segurança .

 

Seria Álvaro dos Santos Caldeira, engenheiro recém-chegado de África, que, nomeado pelo Ministério da Educação, reúne os primeiros professores e põe a escola a funcionar. Chegou ao Porto Santo em Setembro de 1975 (oficialmente passa a dirigir a escola no dia 9 de Outubro) mas só em Março foi contratado o primeiro funcionário para a secretaria, instalada no centro da vila na casa camarária recentemente demolida anexa à actual Biblioteca Caloust Gulbenkian. Até então, todo o funcionamento da escola estava nas mãos dos professores, da limpeza ao ensino[1].

 

 

 

 

 

Escola B+S Prof. Dr. Francisco de Freitas Branco, Porto Santo