Francisco Franco de Sousa, escultor madeirense, foi aluno na Escola Industrial e Comercial do Funchal, hoje Escola Secundária de Francisco Franco. Nasceu em 1885 no Funchal. Recebeu a primeira aprendizagem com seu pai, professor do Ensino Técnico no Funchal. Em 1907, juntamente com o irmão Henrique Franco, matricula-se na Academia de Belas Artes em Lisboa. Concorre à bolsa do legado Valmor com A Justiça de Salomão. Tendo sido aceite, partiu para Paris em 1910. No ano seguinte, realiza uma viagem de estudo à Bélgica e Holanda. Em 1914, com a Primeira Guerra Mundial, regressa à Ilha da Madeira e começa a mostrar o seu talento: cria os bustos do Dr. Teixeira Direito e Vieira de Castro, a escultura de um Velho, uma Viloa e uma Nossa Senhora da Paz.

Durante a sua estadia na ilha, concebe ainda alguns monumentos: o Busto Simbólico do Aviador, um Torso e um Anjo Implorante, este último por encomenda privada. Produz também a sua primeira escultura evocativa de Gonçalves Zarco, terminada em 1915 no Terreiro da Luta. Em 1918 inicia os estudos, por encomenda da Junta Geral, de uma Estátua a Gonçalves Zarco, desenvolvendo para o pedestal os baixos-relevos do Infante D. Henrique, Conquista, Valor e Ciência. Regressa a Paris em 1921. Nesta segunda estada parisiense destacam-se as obras Rapariga Francesa, Rapariga Polaca, Torso de Mulher, Busto de Manuel Jardim, Semeador e os esbocetos Adão e Eva e Chanteuse. Do ano de 1923, destacam-se as exposições realizadas no Salon d'Automne e na Societé Nationale, em Paris e a exposição Os 5 Independentes na qual participou com Dórdio Gomes, Diogo de Macedo, Alfredo Miguéis e seu irmão Henrique Franco.

Dois anos depois, desta vez na galeria Wheyne, em Nova Iorque, expõe novamente com grande sucesso, tendo vendido todas as obras aí exibidas. Ainda em 2005, desloca-se ao Brasil, a fim de participar na Exposição Internacional do Rio de Janeiro. Em 1927, mostra o seu talento em Boston. É igualmente neste ano que, na Madeira, inicia a escultura de Gonçalves Zarco, que marca uma nova fase da sua obra. De facto, a partir desta altura, Francisco Franco começa a colaborar na construção de estatuária ligada ao regime, primeiro, ao lado de Diogo de Macedo e, depois, ao lado de Leopoldo de Almeida.

Datam ainda desta ocasião: a maqueta A Asia criada para o Parque Eduardo VII e o Infante D. Henrique para a exposição de Vincennes, bem como o baixo-relevo Lusitânia, destinado ao Tribunal do Comércio. Em 1935 termina a Dor para o Panteão Real em São Vicente de Fora e D. Leonor para as Caldas da Rainha. Francisco Franco associa o seu nome ao Modernismo em Portugal com o baixo-relevo Apostolado, destinado à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, projeto arquitetónico de Pardal Monteiro.

No ano de 1934 concorre à vaga de professor de Desenho da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa, sendo, porém, preterido em favor de Leopoldo de Almeida. No ano seguinte, foi eleito vogal efetivo da referida Academia. Para ser exibida na Exposição Universal de Paris, realizada nessa década, criou a estátua do Prof. Oliveira Salazar. Decorria o ano de 1945, quando entrega à Casa da Moeda de Lisboa, edifício da autoria de Jorge Segurado, D. João I Batalhando. Francisco Franco fez, ao longo da sua carreira, numerosos bustos, algumas obras de medalhística e baixos-relevos. É um dos mais importantes autores da estatuária portuguesa, com particular incidência nos reis de Portugal: D. Dinis e D. João III, em Coimbra, e D. João I e D. João II, em Lisboa, testemunham a grandeza do artista. Teve a honra de receber do Patriarcado de Lisboa a encomenda para um monumento ao Cristo-Rei do qual se viu impossibilitado de acompanhar convenientemente a obra, devido a um acidente de viação. Não conseguiu ver essa obra finalizada, porque a morte o surpreendeu a 15 de Fevereiro de 1955.

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